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Editoras, cuidado: o eBook is not on the eTable.

 

Michael Shatzkin levantou uma lebre interessante em um recente post de seu site: será que as editoras (de livros impressos) conseguirão manter a primazia na publicação de livros (eletrônicos)?

Muito já se escreveu sobre o impacto da autopublicação “roubando” o papel das editoras tradicionais — com as opiniões variando entre a exaltação entusiasmada à liberdade de publicar, de um lado, e o franco desprezo, do outro (“um ebook autopublicado não vale nem o papel no qual está impresso”, disse um editor, parodiando a patuscada de Samuel Goldwin). Shatzkin, no entanto, mostra que há um “concorrente” muito melhor preparado para ocupar o papel das editoras tradicionais: qualquer empresa que gere ou detenha conteúdo pode agora publicá-lo, digitalmente, sem a intermediação de uma editora.

As revistas, redes de televisão e sites estão se dando conta da realidade de que autopublicar ebooks é algo que elas podem fazer sem as complicações (ou sem ter que dividir a receita) de se trabalhar com uma editora. 

Assim, as editoras que quiserem manter-se indispensáveis em ambiente em que o produto predominante (ebook) requer pouco ou nenhum investimento em dinheiro e onde os canais de vendas serão poucos e de livre acesso (como a Amazon), terão que convencer empresas geradoras de conteúdo (vale o mesmo para autores), que a associação com suas marca ou selo trará benefícios que vão além do “prestígio”.

Veja aqui os comentários de Stella Dauer, e a longa e acalorada discussão no blog de Shatzkin.

Control+Alt+Del

 

A recente conferência TOC (Tools of Change) em Frankfurt apresentou a habitual sequência de palestras em que se mostram possibilidades assombrosas do digital para a publicação e que suscitam dúvidas e a costumeira ansiedade nas editoras estabelecidas — como poderemos nos adaptar?

A palestra de Mitch Joel, canadense expert em marketing digital destacou-se ao partir de uma perspectiva diferente — dê um control+alt+del [“command+option+esc” para o povo Mac].  Não tente se adaptar; não tente trazer suas práticas do livro impresso ao mercado digital. Pense do zero. Queime seus navios. Nada será como antes. O consumidor de hoje é diferente do de ontem — literalmente.

 

 

Algumas ideias e provocações que valem o destaque:

“Pode parecer assustador ou radical… essa é uma oportunidade equivalente à revolução de Gutenberg. Em dez anos, as pessoas vão perguntar o que você fazia nesse época sensacional. O presente.” […] “As editoras estão entrando no mundo digital a contragosto, esperneando. Elas agora podem vender qualquer coisa a qualquer pessoas, e estão lutando contra isso!”

“As pessoas estão lendo mais, porque é mais simples. Trata-se de dar ao consumidor o que ele quer, quando ele quer.” “O consumidor não se interessa por tecnologia — se interessa pela simplificação”.

[Paradoxalmente] “o marketing na era digital não vai ser sensível à anúncios e comunicação corporativa — vai depender do pessoal, as compras serão feitas por recomendação de pessoas de verdade, acessáveis em seu telefone.”

“Não é papel do leitor ir até o Facebook e curtir a página da editora, mas que são as editoras que devem ficar amigas de seus leitores.”

“As megalivrarias têm controle demais sobre os produtos que vendem. De quem é o livro, afinal? Da editora ou da livraria? As editoras inteligentes vão estabelecer uma ligação direta com o leitor.”

“Editor: sua prioridade absoluta agora é aproveitar a oportunidade e estabelecer uma relação direta com seu consumidor/leitor. Se você não o fizer, as megalivrarias farão. Se elas não fizerem, os autores farão.”

(editora promete) Autonomia para escritor

 

Em 2009, após 2 anos de fase beta, foi inaugurado o site authonomy, que chamou a atenção da comunidade de editores e escritores não exatamente por implementar as ferramentas colaborativas do digital no processo editorial — mas por ter sido lançado por um grande grupo editorial, a Harper Collins. Será que justamente uma editora legacy estaria democratizando a seleção de textos?

Quem consultar a FAQ, lerá que a ideia é “revelar novos talentos por meio da leitura pública dos projetos de autores inéditos”. Os candidatos a escritor que enviarem seu manuscrito ao site, terão seus textos disponibilizados para leitura, e os visitantes poderão expressar sua opinião com lacônicos “+” e “-“. A cada mês, os livros/projetos que estiverem entre os melhor “avaliados” merecerão a leitura de um editor da Harper Collins e daí — quem sabe — virão a ser publicados.

Entre os bons resultados que a authonomy tem a mostrar estão Miranda Dickinson, que conseguiu o 8º lugar na lista do Sunday Times com Fairytale of New York, e uma penca de outros escritores, que foram publicados tanto pela Harper Collins quanto pinçados por agentes literários.

Por outro lado, foi-se dito (com alguma propriedade) de que o site nada mais era do que uma slush pile digital. Isto é, que a Harper Collins apenas tinha passado para o meio eletrônico aquela “pilha de compostagem” de manuscritos amontoados, e confiado à cyber malta que separasse o (muito) joio do (pouco) trigo.

Outra suspeita recorrente é de que a Harper Collins queria apenas amealhar, entre os candidatos a escritores, clientes para sua empreitada de autopublicação ou de impressão por demanda. Quantos autores, cansados de esperar a avaliação de seus pares ou a boa vontade de um avaliador não estariam dispostos a pagar bem para liquidar a situação e publicar seu livro? E se, ainda por cima, tivesse o aval da Harper Collins?

O fato é que acaba de ser anunciado (para janeiro) um “Selo digital para os melhores autores do authonomy”. Eles não chegarão a entrar no catálogo dos capa duras, mas terão seus ebooks publicados — com a perspectiva de ganharem uma versão impressa se mostrarem-se bestsellers.

Talvez essa “novidade” signifique apenas um passo a mais no caminho que separa a publicação tradicional (arraigada em grandes grupos como a Harper Collins) aos novos parâmetros do digital. Quando esse caminho estiver completo, e a publicação e a leitura digitais estiverem amadurecidas (em breve), oferecer um “upgrade para o papel” para ebooks que venderem bem fará tanto sentido quanto oferecer a prensagem em LPs àqueles MP3 que se destacarem na iTunes store.

 

 

 

Vídeo: “Literatura expandida”, Cristiane Costa

 

A jornalista, escritora, editora e pesquisador Cristiane Costa mostra algumas das experiências atuais de narrativa digital, incluindo enhanced e-books e realidade aumentada. A palestra fez parte do primeiro Fórum do movimento Autor 2.0, realizado no Parque Lage, no dia 3 de setembro de 2011.

 

Você não terá mais livros. E lerá muito mais.

 

JULIO SILVEIRA

Se você é proprietário de uma biblioteca, montada laboriosamente e exibida com orgulho na sala de estar, já deve ter ouvido de alguma visita algo como “mas para que é que você guarda o livro depois que leu?” ou “se você não vai reler, porque é que fica ocupando tanto espaço com livro?”.

Você pode até se chocar com esses filisteus, mas tem que reconhecer que o raciocínio — deixando de lado o fator afetivo — faz sentido. Em se tratando de pessoas que gostam do livro, há as que gostam do objeto, há as que gostam do conteúdo.

Dentro dessa lógica, duas iniciativas começam a despontar. Uma é da gigante Amazon, e ainda não tem nome ou data de lançamento. A ideia é que, por uma taxa anual, o usuário de um Kindle possa ler qualquer livro do acervo amazônico, no sistema vai-e-vem. As editoras, cada vez mais acuadas, já começaram a estrilar. A resposta da Amazon é que o serviço nada mais é que uma versão 2.0 das bibliotecas — com uma melhor remuneração para as editoras.

Faturar pouco de muitos é a premissa da “Nuvem de livros“, uma empreitada da Gol Editora (sim, a voadora das barrinhas de cereal que singrar outras nuvens). O escritor Antônio Torres, contratado como “curador” do projeto, justifica: “O enfoque é o mesmo do de uma biblioteca, só que virtual”. “Nós não vamos vender livros; as pessoas leem e depois devolvem para a nuvem. É um projeto que tem uma preocupação educacional, que pode atingir escolas, universidades e o público em geral”, conta.

Essa “preocupação educacional” traduz-se à receita estimada de R$ 1,00 por cada aluno da escola pública do país ao mês. Estamos falando de quase 9 milhões. Deve sobrar um bom naco para as editoras, mas, por enquanto, o acervo conta basicamente com os títulos do grupo Ediouro (Nova Fronteira, Agir, Thomas Nelson etc).

Alguém já disse que a música será consumida da mesma forma que dispomos do gás e da eletricidade: por uma conta mensal. Talvez os livros (ou os textos, melhor dizendo) sigam o mesmo caminho e venham por “canos digitais” das editoras até nossa cabeceira. Não teremos mais a propriedade de um volume, apenas a posse (transitória) de um romance, por exemplo. E dessa forma, pelo menos, aquela pilha, ao lado da cama, de livros comprados e não lidos ainda, deixará de seu um embaraço.

 

O fim do papel? Autores debatem futuro dos livros digitais

 

GUILHERME FREITAS

Prosa online

Tema de uma série de debates na 15ª Bienal do Rio e preocupação constante do meio editorial nos últimos anos, o debate sobre o futuro — e sobretudo o presente — das novas tecnologias de leitura e difusão de livros ganhou espaço nesta sexta-feira também na programação do Café Literário. A mesa “Apresentando o livro digital” reuniu a pesquisadora Giselle Beiguelman e os editores Carlo Carrenho e Daniel Pinsky, com mediação da jornalista Cristiane Costa, para tentar jogar luz sobre um momento em que há mais apostas e previsões do que certezas.
Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Giselle Beiguelman trabalha com suportes digitais de leitura há mais de uma década e foi uma das primeiras autoras no país a publicar um estudo sobre o tema, “O livro depois do livro” (1999). Ela criticou as “previsões apocalípticas” sobre o fim dos livros de papel (“Já se pode fazer uma história da morte e ressurreição do livro”) e desenhou um cenário em que as novas tecnologias não substituirão as antigas, apenas as complementarão.
– O livro de papel é a tecnologia mais estável já criada no campo cultural, continua o mesmo há mais de mil anos. O e-book não é só a versão digitalizada do livro de papel, ele vai criar um espaço para si. Livros são, desde sempre, máquinas de leitura em torno da qual se organizam uma série de práticas culturais. O que o livro eletrônico faz é abrir um novo espectro de práticas desse tipo – disse Giselle, citando aparelhos que fazem uso das redes sociais, telas de touch screen e projeções para “tornar mais complexo e interessante o ato de leitura”.
Criador do boletim “Publishnews”, dedicado ao mercado editorial brasileiro, Carlo Carrenho assinalou a discrepância entre a situação nos Estados Unidos hoje, onde a participação dos livros digitais no mercado cresceu de 1% em 2008 para 20% atualmente, com do Brasil, onde, assim como no resto do mundo, essa parcela continua incipiente. Diretor-executivo da Singular, unidade de impressão sob demanda da Ediouro, ele observou que essas tecnologias abrem caminho para que autores publiquem seus livros sem passar pelo crivo de editores. Para alguns críticos, esse processo pode banalizar o meio literário, mas Carrenho discorda:
– Quando Gutemberg inventou a imprensa, a nobreza europeia tinha a mesma preocupação. Um juiz de Florença chegou a dizer que a pena do monge era a esposa, e a imprensa, a prostituta, porque vulgarizava os livros. Hoje há muitos monges florentinos no mercado editorial, mas não podemos temer a democratização – disse Carrenho.
Sócio-diretor da Editora Contexto, Daniel Pinsky defendeu que as maiores possibilidades de autopublicação só aumentam a importância dos editores.
– Há uma grande diferença entre publicar e editar. Comas tecnologias digitais, publicar ficou muito fácil. Mas editar é uma atividade que envolve várias funções, de ajudar o autor a melhorar o livro a definir pontos de venda. Mesmo num cenário em que qualquer um possa publicar seus livros, os editores sempre serão terão um papel fundamental.
Livro digital vai decolar no Brasil quando for melhor difundida a internet em banda larga, tablets mais baratos, e investimento maior das editoras, que por enquanto ainda têm receio dos e-books, principalmente pelo risco maior de pirataria no meio digital. Mas acredita que a partir de 2013 os livros digitais vão representar uma parcela grande do mercado.

Turow: “A pirataria de e-books pode destruir o mundo editorial”

 

Bol online

 

O autor e advogado norte-americano Scott Turow, 52, best-seller mundial por thrillers jurídicos como “Acima de Qualquer Suspeita” ­–que originou o filme homônimo de 1990, dirigido por Alan J. Pakula e estrelado por Harrison Ford — disse hoje em sabatina da Folha ver com preocupação a forma como os livros digitais vêm sendo pirateados.

“É preciso ter uma ação contra isso, ou eles vão destruir a base financeira do mundo editorial. E não são os autores best-seller quem mais tem a perder com isso, e sim os que estão só começando”, afirmou o escritor na entrevista, conduzida pela editora da Ilustrada, Fernanda Mena, no Teatro Folha.

A conversa teve como entrevistadores também Josélia Aguiar, colunista da Folha, Ives Gandra, professor emérito da Universidade Mackenzie, e Diego Assis, chefe de reportagem do UOL Entretenimento, e foi exibida ao vivo no UOL.

O autor tratou da discussão a respeito dos livros digitais ao ser questionado por Assis sobre artigo que publicou no “New York Times” criticando leis de flexibilização dos direitos autorais propostas pela organização sem fins lucrativos Creative Commons. “Concordo com [Lawrence] Lessig [fundador da organização] em algumas coisas. Não acho que direitos autorais deveriam ser estendidos do jeito que vêm sendo nos EUA no que diz respeito a estúdios de cinema, por exemplo.”

Turow, que participa neste domingo (11) na Bienal do Livro Rio, em mesa às 15h30 com Marc Levy, veio ao Brasil também para lançar o thriller “O Inocente”, sequência de “Acima de Qualquer Suspeita” – romance que o norte-americano sempre disse que não teria continuação. “Uma coisa que aprendi desta experiência é que você nunca deve acreditar em um escritor quando ele diz que nunca escreverá sobre determinado assunto.”

Primeiro fórum: 3 de setembro

O digital está libertando os livros das restrições físicas (estoque, distribuição, custos gráficos, divulgação) e liberando o acesso à edição e publicação, além de redefinir o conceito de autoria individual. Os papéis da cadeia do livro — do escritor ao leitor, passando por agentes, editores, livrarias, bibliotecas — podem ser reconfigurados. Autor 2.0 é um fórum para explorar os impactos que o meio digital traz ao livro — com foco nas oportunidades e riscos  para a vida criativa  e econômica do personagem fundamental da cadeia do livro — o escritor. Ao investigar os novos recursos e estudar suas aplicações na cadeia do livro, os autores mapearão as novas formas de se escrever e ler.  
O primeiro encontro acontecerá no sábado, 3 de setembro, a partir das 16h, no Salão Nobre da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Escritores, editores e jornalistas vão conversar com o público sobre temas urgentes, como

 

Publicação de narrativas em mídias sociais e suportes alternativos. Quais das experiências terão viabilidade econômica e serão acolhidos pelos leitores?

Narrativas colaborativas, não lineares, wikiliteratura e transmidia. A obra cultural unificada — com texto, imagem, audio, música, links — é convergência ou redundância?

Publicação, autopublicação e distribuição em eBook nos canais aterritoriais, como Apple e Amazon. — Copyright, Creative Commons, a nova economia do livro digital e as novas formas de remuneração do trabalho do escritor.

A livre troca de informações, a marginalia digital colaborativa e a dissolução da autoria individual na internet. Pirataria, plágio, remix e falsas atribuições.

Qual o novo papel do editor e como será a triagem do que vale a pena ser lido com o fim da barreira econômica para a publicação e autopublicação.

 

Para esse primeiro encontro, foi formado um painel de escritores, editores e profissionais do livro de perfis diversos, para que as questões sejam por mais pontos de vista e que as ideias surgim a partir do embate de opiniões. São eles

Cristiane Costa jornalista, escritora, editora e professora, investiga as novas formas de expressão textual com os recursos digitais: as narrativas expandidas.

Marcelino Freire escritor, idealizador da Balada Literária, evento literário e cultural em São Paulo, editor do coletivo Edith. Recebeu o Jabuti por Contos negreiros.

Sérgio Rodrigues jornalista, escritor, editor do site NoMínimo e colunista do TodoProsa da Veja online especializado em literatura, vencedor do Prêmio de Cultura do Estado do Rio em 2011.

Ondjaki escritor angolano publicado em 14 idiomas, vencedor do Jabuti por AvóDezanove e o segredo do soviético.

Carlo Carrenho economista, editor, fundador do portal Publishnews, que há dez anos registra as mudanças no mercado editorial e diretor da Singular, braço de publicação digital (em eBook e impressão sob demanda) do grupo Ediouro.

Simone Campos jornalista, autora de livros publicados em formato tradicional, digital e híbrido. Recebeu a bolsa de criação literária da Petrobras para criação de Owned, livro publicado em papel, online e no formato de jogo.

C. S. Soares escritor multiplataforma, desenvolvedor de software, e-publisher, colunista iMasters, editor do PontoLit, sobre literatura e autopublicação.

 

O debate ficará registrado no site www.autor20.com, que será o fórum permanente para discussão da relação dos escritores com o meio digital, reunindo material pertinente e fomentando a discussão, com o objetivo de compreender e mapear as novas formas de se escrever e ler.

Kindle @author traz o autor de volta aos leitores

 

Um dos clichês dos cursos de literatura — “Para quem escreve o autor?” — pode deixar de ser uma pergunta estritamente retórica. O leitor, essa figura abstrata lá na outra ponta da cadeia do livro, pode ganhar nome e rosto e tornar-se amigo (no sentido Facebook da palavra) do escritor.
A distância ainda é imensa, mas a Amazon começou a apresentar o leitor a seu autor e vice-versa.  O Kindle, desde o último domingo (30 de agosto), permite que os leitores selecionem um trecho qualquer de um e-book e se dirijam ao escritor — tecendo um comentário, tentando esclarecer uma dúvida, rasgando um elogio. É o recurso @author, que está em fase de testes, restrita a 15 escritores.

A lista não é empolgante. Não espere que Coetzee, que não aceitou ser entrevistado na Flip, vá se dispor a esclarecer quem é o pai do filho de Lucy, em Desonra. Dentre os bois de piranha do projeto @author, lançados à curiosidade dos leitores estão o escritor de suspense-cristão (!) Ted Dekker, o filho desnaturado porém rico Robert Kiyosaki e o indie bestseller no Kindle John Locke. Nem tudo é desalento: Steve Johnson, do instigante e recém lançado De onde vêm as boas ideias está às ordens para o leitor desinibido.

Boatos no twitter dão conta de que o serviço, mal começou e já pode ser abatido. Como era de se esperar, a incidência de trolling é avassaladora, com muita gente debochando, ofendendo e ameaçando seu escritor. O que era para acabar as barreiras pode tornar-se mais um muro, de pichações.

E você, o que diria ao autor do livro que está lendo?

[Comente, no campo abaixo, ou por aqui. As melhores respostas vão ser reunidas em um outro post]

 

Admirável livro novo

 

Cristiane Costa

Bravo

A QUARTA TELA

A revolução que torna incerto o futuro do livro questiona a noção de autoria, abala as bases da indústria editorial e muda as formas de leitura já é chamada pelos especialistas de Quarta Tela – as três primeiras são a da televisão, a do computador pessoal e a do telefone celular. A quarta tela com que vamos nos acostumar a interagir diariamente será a do tablet. O iPad é a estrela desta nova geração de computadores, mas nem de longe a única. Calcula-se que ele dividirá o mercado com pelo menos 50 modelos nos próximos meses.

Tablets têm uma série de vantagens sobre os dispositivos que apenas exibem textos digitalizados, como os pioneiros Kindle, da livraria Amazon, e o nook, da livraria Barnes & Noble, além de sua tela colorida. “Ele abre uma nova gama de experiências que ultrapassa a da leitura do livro impresso”, afirma o brasileiro Julius Wiedemann, editor-chefe da área de design da Taschen, que já testa um programa para simular livros de arte no novo e-reader, com direito a multimídia e interatividade. “Vivemos uma mudança radical de paradigma”, acredita. Opinião parecida tem o editor da revista americana Wired, Chris Anderson. “Daqui a 10 anos vamos ver que este foi um momento significativo”, afirmou numa conferência em São Francisco em março, quando apresentou um vídeo com a versão da revista, uma espécie de bíblia das novas tecnologias, para o iPad.

A verdade é que, até o mês passado, e-readers eram suportes eletrônicos para livros comuns, e os e-books não passavam de versões digitalizadas de textos produzidos para serem impressos. Mas, de agora em diante, o livro – assim como os jornais e revistas – pretende ser muito mais do que um texto adaptado para o novo formato. Nascidos digitais, os novos livros podem prescindir da leitura linear, integrar-se à internet, misturar palavra, vídeo, foto, som e animação, e literalmente explodir em 3D nas telas. Neste novo universo, real e virtual não são mais mundos separados. Os novos livros poderão ainda ser reescritos por seus leitores, em experiências interativas e colaborativas que colocam em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual.

O CHEIRINHO DO LIVRO

Ainda é cedo para medir o impacto na criação narrativa dessa literatura sem papel. O livro eletrônico poderia desenvolver novas formas expressivas — assim como o livro impresso possibilitou o boom do romance, e a câmera filmadora a explosão do cinema? Boa parte das obras produzidas no novo formato ainda é experimental. No entanto, as editoras comerciais já começam a fazer suas próprias experiências. A Penguin e a Macmillan colocaram na rede vídeos mostrando como seus livros serão reinventados, ganhando recursos interativos e multimídia, espaço para comentários, mecanismos de busca e comunidades virtuais de leitores para trocar ideias.

Segundo o executivo-chefe da Penguin, John Makinson, a editora criará grande parte de seu conteúdo digital em HTML (linguagem para escrever páginas da internet) em vez do formato ePub, usado nos livros eletrônicos. “A própria definição de livro está aberta”, acredita. De fato, há dúvidas sobre como classificar as obras produzidas a partir das estratégias narrativas abertas pelas novas tecnologias. Seriam livros ou alguma forma nova, que já é chamada de transmídia, que conviverá em separado com o mercado editorial tradicional, como a televisão adquiriu uma linguagem diferente do cinema?

Apesar de toda essa excitação, não faltam leitores que não pretendem abandonar o papel por nada. Seus argumentos são pertinentes. Ler num computador não é tão confortável como ler uma obra impressa (por outro lado, uma biblioteca inteira cabe num levíssimo e-reader). É difícil ler na tela porque os olhos se cansam da luminosidade (aparentemente não os das novas gerações, habituadas às telas do computador). As baterias acabam, enquanto livros duram quase uma eternidade (em compensação os livros impressos não podem ser baixados para o seu e-book quando se está há horas esperando na antessala do médico). Para praticamente todo argumento contra um tipo de livro há um a favor.

Resta o insubstituível “cheirinho do livro”. Para quem não abre mão dele, uma história divertida é a relatada pelo historiador americano Robert Darnton em A Questão dos Livros: Passado, Presente e Futuro, que sai no Brasil em maio. Conta que uma pesquisa com estudantes constatou que 43% deles consideravam o cheiro uma das maiores qualidades dos livros. E a única que aparentemente não poderia ser suplantada pelos livros eletrônicos. Mas uma editora online, a CaféScribe, já apareceu com uma solução: oferecer um adesivo para ser colado em seus computadores com um aroma similar.

Especialista na história do livro, Darnton mostra que o livro impresso é também uma tecnologia de leitura, que já desbancou outras, no passado: os rolos de pergaminho e as obras manuscritas, mesmo que sob severos protestos de seus defensores. Nesta área, as mudanças têm sido cada vez mais rápidas. “Da descoberta da escrita até o codex (o formato atual do livro), passaram-se 4.000 anos; do codex à tipografia, 1.150 anos; da tipografia para a internet, 524 anos; da internet para os mecanismos de busca, 17 anos; deles para o Google, 7 anos; e quem sabe o que estará ali na esquina ou vindo na próxima onda?”, pergunta.

Com ou sem cheirinho, os e-readers prometem revolucionar os hábitos de leitura, assim como o codex fez com os rolos de papiro. Em vez de duas páginas lado a lado, teremos uma única, que também servirá para exibir vídeos, acessar a internet e nos comunicar com os amigos. Podemos retomar o hábito de fazer anotações nas margens, sublinhar e usar etiquetas virtuais (tags) para catalogar o que nos interessa. Em vez de comprar livros, poderemos baixá-los numa livraria virtual imediatamente – e talvez impulsivamente, porque o preço será bem menor. Será muito simples buscar palavras-chave num grande volume de textos e assim destrinchar em poucos minutos a obra de um grande pensador sobre determinado assunto. Ou mesmo de vários pensadores ao mesmo tempo. Vamos poupar muitas árvores de serem abatidas à toa, para a publicação de livros sem importância. Mas qual será o custo disso para o universo da leitura tal como conhecemos hoje?

O tempo dirá quem vai pagar a conta.

CROWDSOURCING
Elaboração dos mais diversos conteúdos de maneira coletiva. O desenvolvimento de ferramentas interativas e o sucesso do twitter deu novo fôlego às experiências colaborativas em rede na área acadêmica e literária.

APLICAÇÕES
A enciclopédia virtual Wikipédia é um exemplo de narrativa colaborativa: em vez de especialistas contratados, quem escreve os verbetes são os leitores. Na wikiliteratura, eles também são convidados a contribuir para o desenvolvimento da história.

TÍTULOS
De olho no fenômeno, a editora americana Penguin criou o projeto A Million Penguins, que chamou de exercício de escrita criativa colaborativa com base no twitter. Nela, todas as contribuições podem ser editadas, alteradas ou removidas pelos colegas. E a BBC Audiobooks convidou o escritor Neil Gaiman para dar o pontapé inicial de um conto com uma frase de 140 caracteres, complementado depois pelos seguidores cadastrados.

INTERATIVIDADE
Total. A própria ideia de autoria se desfaz nestes projetos baseados no conceito de inteligência coletiva.

FICÇÃO HIPERTEXTUAL
Também chamada de ficção não-linear, permite que o texto tome vários caminhos e até ter vários finais possíveis. Não nasceu na internet, mas ganhou impulso nela pela facilidade de criar hiperlinks, que possibilitam navegar pela história.

APLICAÇÃO
Tem grande aplicação na literatura, adequada para a criação de nova narrativas não-lineares, ou na adaptação de já existentes, como O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar.

TÍTULOS
Alguns dos mais interessantes exemplos podem ser consultados na Biblioteca Cervantes Virtual, sob a rubrica hipernovela. Vale conferir títulos como Condições Extremas, de Juan B. Gutierrez.

INTERATIVIDADE
Pode ser de dois tipos: explorativa e construtiva. Na primeira, o autor define os rumos da história, mas permite ao leitor decidir seu trajeto de leitura. Na segunda, o leitor pode inclusive modificar a história.

HIPERMÍDIA
Narrativa que faz uso de texto, áudio, animações e vídeo para contar uma história ou desenvolver uma tese. A hipermídia não é a mera reunião da várias mídias, mas sim a fusão delas numa nova narrativa.

APLICAÇÃO
Permite que várias mídias sejam integradas e formem uma nova linguagem, com sua própria gramática. Já imaginou um livro como A Volta ao Mundo em 80 dias usando o Google Maps? É útil também em ensaios – um livro sobre a ópera, por exemplo, pode trazer imagem e áudio das encenações.

TÍTULOS
O premiado Alice Inanimada, produzida por Kate Pullinger e Chris Joseph, é um romance que utiliza uma combinação das várias mídias. Durante dez episódios vemos a menina sair de uma região remota da China para se tornar uma designer de jogos.

INTERATIVIDADE
Nem sempre é necessária. O leitor pode simplesmente acompanhar a história da forma como ela é narrada. Ou eventualmente jogar com ela.

FAN FICTION
Obra de ficção criada por fãs com base em personagens de livros, filmes, mangás e animações consagradas. Sem se importar com direitos autorais, os fãs podem também tomar emprestadas situações das histórias originais.

APLICAÇÃO
Criado para diversão, o gênero também tem um potencial didático que já foi descoberto por professores de português. Em sala de aula, pode-se criar fan fictions de obras clássicas – inventado mais peripécias, por exemplo, para Leonardo Pataca, protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

TÍTULOS
Embora os primeiros blogs sejam dedicados a aventuras inspiradas pela série Harry Potter, de J. K. Rowling, há histórias baseadas em Senhor dos Anéis, de J. K. Tolkien, e em Eragon, de Christian Paolini, entre outros.

INTERATIVIDADE
Em sites, blogs, fóruns e redes de e-mail, um “autor” pode controlar um personagem, discutindo com os amigos os rumos da história.

GAMES
Modelo narrativo não-linear, que leva o leitor a “jogar” uma história, em vez de acompanhar passivamente a trama arquitetada por um autor.

APLICAÇÃO
Atraente especialmente para o público juvenil, acostumado a interagir com videogames. Os educadores já estão de olho no potencial do formato para atualizar os livros didáticos. Já pensou estudar Geografia procurando um tesouro nos Andes?

TÍTULOS
Em 2008, a editora americana Scholastic publicou o primeiro livro da série The 39 Clues – lançado no Brasil pela Ática. Escrito por Rick Riordan, autor de Percy Jackson & Os Olimpianos, o livro entrou imediatamente nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos.

INTERATIVIDADE
No caso de The 39 Clues, um website, figurinhas colecionáveis, quebra-cabeças, jogos on-line ajudam o leitor-jogador a seguir as pistas que revelam o passado da família Cahill e de personagens históricos, como Benjamin Franklin e Anastasia Romanov.

REALIDADE AUMENTADA
Marcada com um código especial, uma página de livro exibe objetos tridimensionais na tela do computador quando colocada em frente à webcam. São imagens, sons e textos que acrescentam informações ao conteúdo impresso, numa mistura de mundo virtual e real.

APLICAÇÃO
Útil para livros infantis e enciclopédias, que poderiam trazer mapas, gráficos e objetos animados e em 3D.

TÍTULOS
As crianças que foram à Feira de Frankfurt em 2008 puderam se deliciar com as experiências da Metaio, uma empresa alta tecnologia alemã que apresentou os livros Aliens & UFOs. Este ano, as inglesas Salariya Book Company e Carlton lançaram títulos como O que Lola Quer… Lola Tem e Dinossauros Vivos!

INTERATIVIDADE
O que diferencia essa tecnologia dos pop-ups tradicionais (livros de papel em que as ilustrações são montadas em 3D) é que os objetos em 3D se mexem e acompanham o leitor, seguindo seus movimentos.

VOOK
Um livro em que a informação do texto é complementada com vídeo – algo parecido com o jornal Profeta Diário dos filmes de Harry Potter, em que as reportagens trazem, em vez de foto, personagens em movimento.

APLICAÇÃO
Útil para livros de receitas culinárias ou de ginástica, em que o leitor poderá ver os movimentos necessários em vídeo. Em ficção, contudo, seu uso é polêmico, por tirar do leitor o prazer de imaginar rostos e cenários.

TÍTULOS
Disponíveis hoje para iPhone e tablets – não para Kindle. Em ficção, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e A Estranha História do dr. Jekyll e mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. Há ainda obras exclusivas para o formato, como Promessas, de Jude Deverauz.

INTERATIVIDADE
O leitor pode se conectar com o autor, acessar links úteis e comentar a história com seus amigos ou outros leitores nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.

‘O fim do livro’ já cansou. Que tal ‘o fim do escritor’?

 

Sérgio Rodrigues

Todoprosa

O escritor escocês Ewan Morrison provocou um barulho considerável no Festival de Livros de Edimburgo, há poucos dias, com uma palestra (transcrição resumida do “Guardian”, em inglês) tão fundamentada quanto apocalíptica em que, além de dar razão a quem prevê para o futuro próximo o fim do livro de papel (para o qual estima uma sobrevida de apenas uma geração), pinta um cenário em que o próprio ofício de escritor como o conhecemos deixará de existir:

 

Os e-books, no futuro, serão escritos por principiantes, por equipes, por entusiastas de suas respectivas especialidades e por autores já estabelecidos na era do livro de papel. A revolução digital não emancipará os escritoires nem abrirá uma nova era de criatividade: vai levá-los a ofertar seu trabalho em troca de muito pouco ou de nada. A literatura, como profissão, terá deixado de existir.

A futurologia é uma disciplina traiçoeira, mas Morrison não é propriamente um maluco que sobe no caixote para pregar o fim do mundo. Apresenta-se munido de todas aquelas tendências estatísticas já bastante conhecidas que apontam para a progressiva perda de valor do conteúdo na era digital (rumo à gratuidade absoluta?) e para o crescimento aparentemente irresistível da pirataria. Registra a decadência acelerada do sistema de adiantamentos com o qual a indústria editorial nutriu talentos autorais por décadas. Recorre também a teorias como a da “cauda longa”, lançada por Chris Anderson, editor da revista “Wired”. E por fim, de forma um tanto surpreendente, aponta o próprio sonho de independência que a revolução digital provoca no escritor, ao lhe dar a impressão de que pode prescindir do editor “atravessador”, como aquilo que vai acelerar a morte de ambos.

Cenários extremos como o de Morrison podem ser instigantes. Se não soa muito plausível sua previsão do trabalho de criação literária como uma fábrica chinesa ou coreana, superlotada de operários que se matam em troca de cama e comida, os dados que mobiliza certamente apontam para transformações dramáticas no modo de produção e veiculação da escrita. Transformações para as quais, paradoxalmente, um país como o Brasil, em que a profissionalização do escritor ainda não chegou a amadurecer, pode estar mais preparado do que muitos. “Ofertar seu trabalho por muito pouco ou nada” não é uma ideia que a maioria dos escribas canarinhos já tenha tido o privilégio de descartar como aviltante.

O futuro da publicação não se parecerá em nada com o atual.

 

Ilana Fox

FutureBook

 

Na revista Wired deste mês, Alain De Botton escreve que “o empreendedor pega tremores de insatisfação e anseio, e os transforma em interesses comerciais.” De Botton estava escrevendo sobre a Apple, mas seu princípio sobre o empreendedorismo pode ser aplicado à maioria das coisas. Acho perfeitamente adequado levar esse conceito a nossa amada indústria do livro.

Na posição de escritora — mas também como alguém que já trabalhar com o digital há mais de dez anos (jornais nacionais e principalmente no varejo) — sou fascinada pelas mudanças que acontecem na indústria do livro no momento. Aplaudo os esforços da Unbound para tentar criar um novo modelo de publicação, fico irritada com Amanda Hocking por ela ter atraído a geração de leitores do Crepúsculo com seus romances autopublicados que renderam-lhe uma fortuna, e me pergunto se os editores de livros tradicionais realmente são tão descartáveis como muitas pessoas (JK Rowling, eu estou olhando para você) parecem achar. Mas, acima de tudo, eu fico assistindo conferências esperando ouvir sobre a próxima grande coisa.

E espero. E continuo esperando.

O aplicativo Waste Land foi lançado muito recentemente, e como todo mundo, eu o amei. Eu o considero elegantemente feito — é bonito, tátil e abrangente — porém discordo de Bryan Appleyard no Times da semana passada. Eu não acho que ele seja um “ponto de virada para a literatura digital”. Eu acho que é apenas um app: um aplicativo lindo, absolutamente, mas apenas um app, no entanto.

O que eu estou esperando — e você provavelmente também está — é a virada de jogo que venha de dentro da indústria e não dos movimentos da Apple ou da Amazon. Estou esperando por esse momento maravilhoso onde, de repente, alguém surge com algo tão embasbacante que nós saberemos de pronto que a indústria terá mudado para sempre. Há murmúrios de idéias, há conversas que geram inovação, porém, enquanto a indústria do livro não chega a um entendimento com o cenário digital, parece que estamos em um daqueles primeiros encontros de adolescentes — desesperados para fazer o primeiro movimento libidinoso, mas incapazes de fazê-lo ou porque não se sabe bem o que se está fazendo, ou aterrorizados pela perspectiva da rejeição.

Ao contrário dos jornais (que sempre existiram em alguma forma, no papel ou não, porque sempre haverá novidades), ou das roupas (porque, excetuando aqueles em colônias nudistas, todos precisamos nos vestir), os livros podem considerados dispensáveis. Nós não precisamos deles para sobreviver, para ter uma conversa, para aprender. No entanto, paralelamente a este descontentamento, há também desejo — podemos até não precisar de livros, mas os queremos. E se nós os queremos temos que inovar para que o mercado de desejo por livros permanece intacto.

Nos meus instantes mais espertos eu me pergunto por que ainda não chegaram a uma solução, e eu tento colocar minha cabeça para pensar nisso. Parece-me que ficamos atolados nos detalhe, tão preocupados com modelos de precificação e de direitos digitais, que não estamos pensando grande. Não estamos pensando como empreendedores, como start-ups, não estamos achando que tudo é possível. Acima de tudo, precisamos entender que o futuro da indústria não vai se parecer em nada com o atual. Não devemos deixar que nossa tradição nos detenha.

Eu não sei qual será o futuro da publicação, é claro. Sou apenas uma escritora. No entanto, o que eu sei é que, para criar a inovação, precisamos ignorar tudo o que fizemos antes, e precisamos agir de forma empreendedora. Precisamos criar o desejo por livros mais uma vez nos leitores, e precisamos criar possibilidades que talvez pareçam embasbacantes agora, mas que se tornarão padrão no futuro.