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Turow: “A pirataria de e-books pode destruir o mundo editorial”

 

Bol online

 

O autor e advogado norte-americano Scott Turow, 52, best-seller mundial por thrillers jurídicos como “Acima de Qualquer Suspeita” ­–que originou o filme homônimo de 1990, dirigido por Alan J. Pakula e estrelado por Harrison Ford — disse hoje em sabatina da Folha ver com preocupação a forma como os livros digitais vêm sendo pirateados.

“É preciso ter uma ação contra isso, ou eles vão destruir a base financeira do mundo editorial. E não são os autores best-seller quem mais tem a perder com isso, e sim os que estão só começando”, afirmou o escritor na entrevista, conduzida pela editora da Ilustrada, Fernanda Mena, no Teatro Folha.

A conversa teve como entrevistadores também Josélia Aguiar, colunista da Folha, Ives Gandra, professor emérito da Universidade Mackenzie, e Diego Assis, chefe de reportagem do UOL Entretenimento, e foi exibida ao vivo no UOL.

O autor tratou da discussão a respeito dos livros digitais ao ser questionado por Assis sobre artigo que publicou no “New York Times” criticando leis de flexibilização dos direitos autorais propostas pela organização sem fins lucrativos Creative Commons. “Concordo com [Lawrence] Lessig [fundador da organização] em algumas coisas. Não acho que direitos autorais deveriam ser estendidos do jeito que vêm sendo nos EUA no que diz respeito a estúdios de cinema, por exemplo.”

Turow, que participa neste domingo (11) na Bienal do Livro Rio, em mesa às 15h30 com Marc Levy, veio ao Brasil também para lançar o thriller “O Inocente”, sequência de “Acima de Qualquer Suspeita” – romance que o norte-americano sempre disse que não teria continuação. “Uma coisa que aprendi desta experiência é que você nunca deve acreditar em um escritor quando ele diz que nunca escreverá sobre determinado assunto.”

Primeiro fórum: 3 de setembro

O digital está libertando os livros das restrições físicas (estoque, distribuição, custos gráficos, divulgação) e liberando o acesso à edição e publicação, além de redefinir o conceito de autoria individual. Os papéis da cadeia do livro — do escritor ao leitor, passando por agentes, editores, livrarias, bibliotecas — podem ser reconfigurados. Autor 2.0 é um fórum para explorar os impactos que o meio digital traz ao livro — com foco nas oportunidades e riscos  para a vida criativa  e econômica do personagem fundamental da cadeia do livro — o escritor. Ao investigar os novos recursos e estudar suas aplicações na cadeia do livro, os autores mapearão as novas formas de se escrever e ler.  
O primeiro encontro acontecerá no sábado, 3 de setembro, a partir das 16h, no Salão Nobre da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Escritores, editores e jornalistas vão conversar com o público sobre temas urgentes, como

 

Publicação de narrativas em mídias sociais e suportes alternativos. Quais das experiências terão viabilidade econômica e serão acolhidos pelos leitores?

Narrativas colaborativas, não lineares, wikiliteratura e transmidia. A obra cultural unificada — com texto, imagem, audio, música, links — é convergência ou redundância?

Publicação, autopublicação e distribuição em eBook nos canais aterritoriais, como Apple e Amazon. — Copyright, Creative Commons, a nova economia do livro digital e as novas formas de remuneração do trabalho do escritor.

A livre troca de informações, a marginalia digital colaborativa e a dissolução da autoria individual na internet. Pirataria, plágio, remix e falsas atribuições.

Qual o novo papel do editor e como será a triagem do que vale a pena ser lido com o fim da barreira econômica para a publicação e autopublicação.

 

Para esse primeiro encontro, foi formado um painel de escritores, editores e profissionais do livro de perfis diversos, para que as questões sejam por mais pontos de vista e que as ideias surgim a partir do embate de opiniões. São eles

Cristiane Costa jornalista, escritora, editora e professora, investiga as novas formas de expressão textual com os recursos digitais: as narrativas expandidas.

Marcelino Freire escritor, idealizador da Balada Literária, evento literário e cultural em São Paulo, editor do coletivo Edith. Recebeu o Jabuti por Contos negreiros.

Sérgio Rodrigues jornalista, escritor, editor do site NoMínimo e colunista do TodoProsa da Veja online especializado em literatura, vencedor do Prêmio de Cultura do Estado do Rio em 2011.

Ondjaki escritor angolano publicado em 14 idiomas, vencedor do Jabuti por AvóDezanove e o segredo do soviético.

Carlo Carrenho economista, editor, fundador do portal Publishnews, que há dez anos registra as mudanças no mercado editorial e diretor da Singular, braço de publicação digital (em eBook e impressão sob demanda) do grupo Ediouro.

Simone Campos jornalista, autora de livros publicados em formato tradicional, digital e híbrido. Recebeu a bolsa de criação literária da Petrobras para criação de Owned, livro publicado em papel, online e no formato de jogo.

C. S. Soares escritor multiplataforma, desenvolvedor de software, e-publisher, colunista iMasters, editor do PontoLit, sobre literatura e autopublicação.

 

O debate ficará registrado no site www.autor20.com, que será o fórum permanente para discussão da relação dos escritores com o meio digital, reunindo material pertinente e fomentando a discussão, com o objetivo de compreender e mapear as novas formas de se escrever e ler.

O futuro da publicação não se parecerá em nada com o atual.

 

Ilana Fox

FutureBook

 

Na revista Wired deste mês, Alain De Botton escreve que “o empreendedor pega tremores de insatisfação e anseio, e os transforma em interesses comerciais.” De Botton estava escrevendo sobre a Apple, mas seu princípio sobre o empreendedorismo pode ser aplicado à maioria das coisas. Acho perfeitamente adequado levar esse conceito a nossa amada indústria do livro.

Na posição de escritora — mas também como alguém que já trabalhar com o digital há mais de dez anos (jornais nacionais e principalmente no varejo) — sou fascinada pelas mudanças que acontecem na indústria do livro no momento. Aplaudo os esforços da Unbound para tentar criar um novo modelo de publicação, fico irritada com Amanda Hocking por ela ter atraído a geração de leitores do Crepúsculo com seus romances autopublicados que renderam-lhe uma fortuna, e me pergunto se os editores de livros tradicionais realmente são tão descartáveis como muitas pessoas (JK Rowling, eu estou olhando para você) parecem achar. Mas, acima de tudo, eu fico assistindo conferências esperando ouvir sobre a próxima grande coisa.

E espero. E continuo esperando.

O aplicativo Waste Land foi lançado muito recentemente, e como todo mundo, eu o amei. Eu o considero elegantemente feito — é bonito, tátil e abrangente — porém discordo de Bryan Appleyard no Times da semana passada. Eu não acho que ele seja um “ponto de virada para a literatura digital”. Eu acho que é apenas um app: um aplicativo lindo, absolutamente, mas apenas um app, no entanto.

O que eu estou esperando — e você provavelmente também está — é a virada de jogo que venha de dentro da indústria e não dos movimentos da Apple ou da Amazon. Estou esperando por esse momento maravilhoso onde, de repente, alguém surge com algo tão embasbacante que nós saberemos de pronto que a indústria terá mudado para sempre. Há murmúrios de idéias, há conversas que geram inovação, porém, enquanto a indústria do livro não chega a um entendimento com o cenário digital, parece que estamos em um daqueles primeiros encontros de adolescentes — desesperados para fazer o primeiro movimento libidinoso, mas incapazes de fazê-lo ou porque não se sabe bem o que se está fazendo, ou aterrorizados pela perspectiva da rejeição.

Ao contrário dos jornais (que sempre existiram em alguma forma, no papel ou não, porque sempre haverá novidades), ou das roupas (porque, excetuando aqueles em colônias nudistas, todos precisamos nos vestir), os livros podem considerados dispensáveis. Nós não precisamos deles para sobreviver, para ter uma conversa, para aprender. No entanto, paralelamente a este descontentamento, há também desejo — podemos até não precisar de livros, mas os queremos. E se nós os queremos temos que inovar para que o mercado de desejo por livros permanece intacto.

Nos meus instantes mais espertos eu me pergunto por que ainda não chegaram a uma solução, e eu tento colocar minha cabeça para pensar nisso. Parece-me que ficamos atolados nos detalhe, tão preocupados com modelos de precificação e de direitos digitais, que não estamos pensando grande. Não estamos pensando como empreendedores, como start-ups, não estamos achando que tudo é possível. Acima de tudo, precisamos entender que o futuro da indústria não vai se parecer em nada com o atual. Não devemos deixar que nossa tradição nos detenha.

Eu não sei qual será o futuro da publicação, é claro. Sou apenas uma escritora. No entanto, o que eu sei é que, para criar a inovação, precisamos ignorar tudo o que fizemos antes, e precisamos agir de forma empreendedora. Precisamos criar o desejo por livros mais uma vez nos leitores, e precisamos criar possibilidades que talvez pareçam embasbacantes agora, mas que se tornarão padrão no futuro.