(editora promete) Autonomia para escritor

 

Em 2009, após 2 anos de fase beta, foi inaugurado o site authonomy, que chamou a atenção da comunidade de editores e escritores não exatamente por implementar as ferramentas colaborativas do digital no processo editorial — mas por ter sido lançado por um grande grupo editorial, a Harper Collins. Será que justamente uma editora legacy estaria democratizando a seleção de textos?

Quem consultar a FAQ, lerá que a ideia é “revelar novos talentos por meio da leitura pública dos projetos de autores inéditos”. Os candidatos a escritor que enviarem seu manuscrito ao site, terão seus textos disponibilizados para leitura, e os visitantes poderão expressar sua opinião com lacônicos “+” e “-“. A cada mês, os livros/projetos que estiverem entre os melhor “avaliados” merecerão a leitura de um editor da Harper Collins e daí — quem sabe — virão a ser publicados.

Entre os bons resultados que a authonomy tem a mostrar estão Miranda Dickinson, que conseguiu o 8º lugar na lista do Sunday Times com Fairytale of New York, e uma penca de outros escritores, que foram publicados tanto pela Harper Collins quanto pinçados por agentes literários.

Por outro lado, foi-se dito (com alguma propriedade) de que o site nada mais era do que uma slush pile digital. Isto é, que a Harper Collins apenas tinha passado para o meio eletrônico aquela “pilha de compostagem” de manuscritos amontoados, e confiado à cyber malta que separasse o (muito) joio do (pouco) trigo.

Outra suspeita recorrente é de que a Harper Collins queria apenas amealhar, entre os candidatos a escritores, clientes para sua empreitada de autopublicação ou de impressão por demanda. Quantos autores, cansados de esperar a avaliação de seus pares ou a boa vontade de um avaliador não estariam dispostos a pagar bem para liquidar a situação e publicar seu livro? E se, ainda por cima, tivesse o aval da Harper Collins?

O fato é que acaba de ser anunciado (para janeiro) um “Selo digital para os melhores autores do authonomy”. Eles não chegarão a entrar no catálogo dos capa duras, mas terão seus ebooks publicados — com a perspectiva de ganharem uma versão impressa se mostrarem-se bestsellers.

Talvez essa “novidade” signifique apenas um passo a mais no caminho que separa a publicação tradicional (arraigada em grandes grupos como a Harper Collins) aos novos parâmetros do digital. Quando esse caminho estiver completo, e a publicação e a leitura digitais estiverem amadurecidas (em breve), oferecer um “upgrade para o papel” para ebooks que venderem bem fará tanto sentido quanto oferecer a prensagem em LPs àqueles MP3 que se destacarem na iTunes store.

 

 

 

Comente

comentários



Comments are closed.